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Repúdio a revista Veja

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Na última semana, o sr. Claudio de Moura Castro publicou na revista Veja o artigo “Professor Ganha Mal?”, onde em todo seu texto difama a profissão e os professores brasileiros.  

Inicialmente, falaremos do financeiro. Em 2016, o piso salarial do professor brasileiro, com jornada de trabalho 40 horas por semana, é de R$2.135,64, ou seja, um professor com jornada de trabalho de 20h/s ganha um pouquinho a mais que um salário mínimo. Sem contar que em muitas cidades brasileiras esse piso não é respeitado. Você acha isso justo?
Em outro ponto desse artigo, foi indagado o fato do professor se aposentar com 25 anos de trabalho.
*1º Erro: Não são 25 anos de trabalho, na verdade esse tempo tem que ser de sala de aula/atividades pedagógicas na educação básica.
* 2º Erro: não são os professores que se aposenta com 25 anos de trabalho, são apenas as professoras, os homens tem que cumprir no mínimo 30 anos.
*3º Erro: Dificilmente as professoras e professores conseguem se aposentar com esse tempo de serviço, pois além de terem esse tempo de sala de aula tem que ter a idade mínima que é no mínimo 50 anos para mulheres e 55 para homens. Para aí sim dar entrada em sua aposentadoria.
Nesse artigo maldoso, também foi falado da quantidade de atestados médicos, é interessante que estamos observando o efeito e em nenhum momento foi falado da causa, o correto seria saber o porquê dos professores ficarem doentes, e não apenas criminaliza-los por ficar doente, tenho certeza que ninguém escolhe ficar doente, ninguém escolhe ir para o hospital público e ter que ficar esperando 4 horas para ser atendido e ainda, depois, correr o risco de ser demitido por apresentar esse atestado médico.
“Mas os professores trabalham pouco, por isso ganham pouco”. Essa argumentação é inválida, de acordo com a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico em seu  relatório Education at a glance 2011, que apontou exatamente o contrário: são poucos os países que possuem mais de 190 dias letivos de aula e o Brasil é um deles com no mínimo 200 dias letivos. Nos países da OCDE, os professores lecionam, em média, de 183 a 186 dias, de acordo com o nível de ensino. Apenas quatro países têm 200 ou mais dias letivos e o Brasil é um destes.
Ouso a comparar a profissão professor com a paixão, por mais que você pesquise, estude, observe fatores fisiológicos e psicológicos da paixão, só saberá a sensação quem já ficou apaixonado. Só saberá o que é ser professor, aquele que já entrou em sala de aula e sentiu aquele friozinho na barriga.
É uma pena que ainda existam pessoas que ficam trancadas em salas de editoras, escrevendo calunias sobre a educação brasileira, sem nunca terem entrado em uma escola pública.
Raul Rodrigues dos Santos

Professor na Rede Pública do DF – SEDF
Especialista em Educação e Cidadania – Unb
Mestrado em Matemática – UFG

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